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A ESPERANÇA ESTÁ NAS MÃOS DAS MULHERES

Este ano, comemoramos o Dia Internacional de Luta das Mulheres ainda sob o peso da pandemia e a dor da perda de mais de 650 mil vidas. E mesmo em um dia de semana, quando diziam que a mobilização poderia ser fraca, mais uma vez nós, mulheres, estivemos nas ruas, em luta para reivindicar o direito de existirmos.  

Mulheres que vivem o drama de não ter com quem deixar os filhos para sair para trabalhar, que sabem o valor que tem o trabalho doméstico e de cuidados, que tiveram seu trabalho ainda mais precarizado com a reforma trabalhista, que não tem dinheiro para pagar o gás, a comida, a moradia de suas famílias, que vivem um cotidiano terrível de não ter saneamento básico, não ter segurança para andar na rua de noite, voltando da escola, depois de um dia duro de trabalho. Mulheres que ocupam espaços tradicionalmente vistos como “dos homens”, como políticas, por exemplo, e que sofrem com a violência política de gênero. Nós estávamos lá! 

Estamos vivendo um período de abandono e descaso com a população brasileira, agravado pela crise sanitária. Mais uma vez, as mulheres são atingidas de forma mais grave. São as mulheres que têm lidado com o luto coletivo, com a sobrecarga de trabalho ou o desemprego maior que entre os homens. 

Dados divulgados ontem pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, em 2021, uma mulher foi assassinada no Brasil a cada 7 horas. Indicam ainda que houve um aumento dos casos entre os meses de fevereiro e maio de 2020, quando houve maior restrição nas medidas de isolamento social. Em 2021, os estupros também aumentaram  e uma mulher foi vitimada a cada 10 minutos no Brasil. 

Por isso saímos às ruas, e convidamos a todas, todos e todes que se juntem a nós. Não só hoje, mas todos os dias. 

Para nós, mulheres, não há muros entre fazer a luta contra a violência doméstica e a luta pela valorização do salário mínimo, por exemplo. Lutar contra a pobreza menstrual e por saneamento básico. Para nós, mulheres, uma política como a do bolsa família é tão importante quanto a política de enfrentamento do assédio nos locais de trabalho. Para nós não tem hierarquias de prioridade e uma luta não anula a outra.