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O grande responsável pelos óbitos das 200 mil pessoas

Chegamos às piores marcas. Nesta quinta-feira (7), o Brasil registrou 200 mil mortos pela Covid-19.  São quase 8 milhões de pessoas infectadas.

Os números podem ser ainda maiores. Segundo especialistas, pode ser o dobro, em virtude das subnotificações. Mesmo assim, é uma marca absurda. Muitas mortes poderiam ser evitadas.

O vírus poderia ser menos letal se políticas de segurança, saúde e econômicas tivessem sido aplicadas, principalmente as voltadas para a maioria da população vulnerável.  

Para o pobre, a alternativa do isolamento social, que é a principal forma de combate à pandemia, significa tirar um prato de comida em casa.

Podemos, sim, apontar o presidente Bolsonaro como o principal responsável pelo elevado número de mortes.

Desde o início da pandemia, ele demonstrou falta de habilidade e desinteresse em coordenar as ações de combate à pandemia.  

Até hoje, o país se ressente de uma estratégia do governo federal para, junto com os governadores e prefeitos, prevenir e mitigar os efeitos do coronavírus.

O Brasil foi um dos últimos países a ser contaminado pelo vírus. Muitas experiências no mundo já se mostravam eficazes. No entanto, nenhuma delas foi utilizada pelo governo. Bolsonaro preferiu negar e confrontar a ciência receitando medicamentos comprovadamente ineficazes, como a cloroquina.

Um lockdown mais intenso nos meses iniciais era a medida mais eficaz nos países europeus e defendida por todos os infectologistas .

Para isso, porém, era preciso oferecer sustentação econômica à população. Assim, governos de todo o mundo, colocaram as mãos nos cofres e garantiram auxílio financeiro para diversas faixas populacionais. Até mesmo nos EUA, do negacionista Donald Trump, foi instituído auxílio no valor de U$ 1.200.

No Brasil, o PT apresentou proposta no valor de R$ 1.200. O governo federal retrucou com apenas R$ 200. Depois de muita luta no Congresso Nacional, a frente de esquerda bateu o pé e o auxílio ficou em R$ 600, mas contra a vontade de Bolsonaro.

Não contente, ele restringiu o benefício, além de criar empecilhos no processo ao exigir como única forma de inscrição um aplicativo para grande parte da população que nem celular possui.

Não foi só isso. O governo brasileiro criou crise política com a demissão de ministros da Saúde com formação técnica para substituir por militar da área de logística.

Em paralelo, o presidente pedia para as pessoas voltarem à vida normal, quando registravámos mais de mil mortes diárias. Para isso, afirmou “que a pandemia não passava de uma gripezinha”.

Quando chegamos a 50 mil mortos, ele disparou que não era “coveiro”. Muitas das suas declarações reforçaram a sua crença de que a melhor forma de se combater a pandemia seria a de mais de 70% da população ser contaminada. Nesse cálculo, Bolsonaro menosprezou o crescente número de óbitos.

São declarações e atitudes que demonstram a incapacidade de conduzir um país importante e das dimensões do Brasil, principalmente durante uma pandemia.

Mas quem paga o preço por essa incompetência são as fámilias que perdem seus entes, cujos lares são destruídos no dia a dia. Para o presidente, o brasileiro se tornou uma triste estatística. Ele não se importa com o sofrimento, com a dor ou a fome.

Se são 20 mil, 200 mil ou 2 milhões, para ele tanto faz, desde que não atinja sua familia. Por isso, ele é o grande responsável pelos óbitos das 200 mil pessoas. Destas, a grande maioria poderia estar com vida.

Juliana Cardoso