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Juliana Cardoso participa do Covid-19 and Women’s Rights in The EU and in The Latin America

Na última terça-feira (3), Juliana Cardoso participou do webinar Covid-19 and Women’s Rights in The EU and in The Latin America. Ela foi convidada pelo Grupo de Socialistas e Democratas do Parlamento Europeu, organizador do seminário.

Juliana participou do primeiro painel, sobre Empoderamento Econômico. A moderação foi do eurodeputado Javi López (espanhol, co-presidente da Assembleia Parlamentar Eurolat), e ela teve como companheira a oradora a eurodeputada Evelyn Regner, Presidente da Comissão FEMM do Parlamento Europeu.

Confira sua fala na íntegra:

Olá, boa noite a todas e a todos. Aqui no Brasil, boa tarde!

Quero agradecer o convite dos membros do Grupo dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu para falar em tão importante encontro, sobre um tema tão urgente para nós, brasileiras, que é o impacto da Pandemia da Covid-19 sobre as mulheres. Começo saudando o eurodeputado Javi López e a eurodeputada Evelyn Regner

Estamos falando da maior crise sanitária, econômica e social da nossa história recente e que, no Brasil, vem impactando de maneira mais forte nas mulheres, os negros, as comunidades quilombolas e as populações indígenas, das quais sou descendente, sou de etnia Terena.

Nenhum desses impactos, como o aumento da violência contra as mulheres, a sobrecarga de trabalho doméstico e de cuidados sobre as mulheres, o aumento do desemprego, da precarização e informalização do trabalho, principalmente sobre as mulheres, em especial as mulheres negras, era inesperado.

Esse impacto não se deve à natureza do vírus em si, mas à combinação perversa entre essa ainda pouco conhecida doença, as desigualdades estruturais de nosso país e um governo que, ao mesmo tempo em que nega a sua gravidade, politiza toda e qualquer iniciativa para enfrentá-la e aproveita o momento para aprofundar sua política de ataque às conquistas sociais, a mercantilização de nossos direitos, a privatização de empresas estratégicas, a flexibilização de nossa política ambiental permitindo, por exemplo, a queimada da Amazônia e do Pantanal, para benefício da produção agropecuária e da mineração. 

Não havia dúvidas de que a Pandemia produziria efeitos perversos, mas no Brasil sofremos também com um governo irresponsável, insensível a dor das pessoas, que nega a gravidade da doença, que defende a tortura, a serviço de um projeto ultra neoliberal de entrega do país.

O maior ato político no Brasil, atualmente, é ser a favor da vida, o que deveria ser inquestionável. Mas, com mais de 160 mil mortos pelo Covid-19, precisamos reafirmar seu valor a todo momento. Aqui quero homenagear e prestar minha solidariedade aos mortos pelo COVID 19.

Sendo o campeão de mortes por Covid-19 de grávidas e mulheres que acabaram de ter filhos, com 77% dos casos no mundo, precisamos reafirmar o valor da vida, e o valor das políticas públicas, em especial o nosso Sistema Único de Saúde, que assegurou que não tivéssemos ainda mais mortes, pelo seu atendimento qualificado e humanizado dos trabalhadores e trabalhadoras dos SUS.

Após luta das organizações sociais e dos partidos de oposição, com forte atuação dos parlamentares do meu partido, PT e partidos de esquerda, conseguimos que o governo repassasse um auxílio emergencial de 600,00 reais para a população que ficou desempregada ou sem fonte de renda por causa da pandemia. Mas nem todos os que precisavam conseguiram e é importante dizer que o presidente da República não estava querendo autorizar este auxilio para a população.

Importante lembrar que a eleição do atual presidente é mais uma etapa do Golpe que começou com a deposição da presidenta Dilma. Mesmo assim, os movimentos sociais, em especial os de mulheres e feministas, seguiram firmes na luta em prol dos direitos, ocupando as ruas. A solidariedade entre os vulneráveis se mostrou de maneira muito forte durante a Pandemia e isolamento social.

Segundo o Monitor da Violência, houve queda nos registros oficiais de violência doméstica, estupros e estupros de vulneráveis. Por outro lado, os casos de assassinato de mulheres e de feminicídio aumentaram.

O que isso indica? Que não houve queda de casos, mas aumento da subnotificação, em função da quarentena. Se a agressão doméstica pode ficar invisível, dificultada, o assassinato não.

No começo da quarentena, apresentei junto a bancada do meu partido, o PT, algumas recomendações a serem adotadas de imediato pela prefeitura do município de São Paulo, onde sou vereadora. A garantia de auxílio aluguel às mulheres em situação de violência, abertura e ampliação dos espaços de acolhida e divulgação dos programas de proteção.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de mulheres que são responsáveis financeiramente pela família cresce a cada ano. Quase metade das casas brasileiras são chefiadas por mulheres, inclusive mulheres que moram com um companheiro.

Em algumas famílias, nesse momento são a única fonte de renda, mesmo que fazendo faxinas e, mais uma vez, se expondo aos riscos que estão longe de serem resolvidos no Brasil.

Em 2017, uma deputada do PT apresentou o projeto da “Economia do Cuidado”, também conhecido por PIB da Vassoura, para dizer qual o valor do trabalho realizado por mulheres no cuidado da casa, de crianças e de idosos.

O que já acontece na França e México, entre outros países. Em 2015, as tarefas domésticas representariam o equivalente a 11,3% do PIB do ano.

Não posso deixar de dizer neste importante espaço o quanto nosso governo municipal é omisso em criar mecanismos tecnológicos para nossas crianças. Como ter acesso ao ano letivo? Como uma família desempregada pode ter acesso à internet para o estudo educacional? Como estudar com fome irá ajudar nossas crianças a terem um futuro brilhante?

Neste momento, com o governo que temos, é difícil prever o que acontecerá, com a economia abrindo antes do controle da epidemia. Enquanto não tivermos consolidado a compreensão de que o Estado tem papel fundamental no enfrentamento das desigualdades e no regramento do mercado, estaremos suscetíveis.

Mas não podemos ficar parados, ainda mais neste momento. Como vereadora, faço a minha parte, junto com parlamentares do meu partido em todo o país e outros companheiros e companheiras de oposição, na luta pela não retirada de direitos, pelo respeito às mulheres em todos os aspectos, com segurança e possibilidade de crescimento profissional. 

Para isso, momentos como este, de troca de ideias, são fundamentais. Por mais que nossas realidades tenham muitas diferenças, as semelhanças que nos unem com relação as batalhas das mulheres nos tornam parceiros na busca de soluções que beneficiem a todos.

Muito obrigada.