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Grito dos (as) Excluídos (as): Basta de miséria, preconceito e repressão

Como contraponto ao oficialismo do Dia da Independência, movimentos sociais, pastorais da igreja católica, entidades das mais diversas e ativistas saem às ruas em manifestações para o 26º Grito dos Excluídos e Excluídas. 

Essa é luta de milhares de brasileiros e brasileiras para lembrar e mostrar as imensas desigualdades sociais que ainda imperam no país e que clamam por políticas públicas para salvar vidas que criem condições de dignidade às pessoas.

Neste ano, do tema “A Vida em Primeiro Lugar” ecoam os gritos por trabalho, terra, teto e participação, com palavras de ordem como: basta de miséria, preconceito e repressão!

A jornada atual enfrenta um cenário dramático. A pandemia do COVID-19 já ceifou a vida de mais de 120 mil brasileiros. O País é o segundo no mundo em óbitos.

Aliado à falta de coordenação do governo federal para enfrentar a doença, o quadro se agrava com a retirada dos direitos sociais.

A perspectiva imediata é de catástrofe já que o governo federal sinaliza o fim do auxílio emergencial e essa é a única fonte de sustento de famílias carentes e de brasileiros sem emprego ou sem condições de buscar o ganha pão nas ruas.

Ainda uma parcela da população brasileira está iludida pela máquina de fabricar falsas notícias nas redes digitais que disseminam preconceitos, ódio e ameaçam a vida.

Além de colocar a vida em risco com desinformações sobre a pandemia, a violência do Estado se expressa nas estatísticas de mortes de jovens, favelados, negros e da periferia, e a política econômica neoliberal aprofunda as desigualdades sociais, enfraquecendo ou removendo direitos conquistados ao longo dos anos.

Hoje, governos transformam o Estado em prospector de negócios com a privatização de serviços e entrega do patrimônio público a terceiros.

É preciso deslegitimar esse cenário. Por isso, esse feriado de 7 de Setembro é diferente para a maioria do povo, que está alijado e excluído do desenvolvimento social e que, por isso, vai à luta por emprego, salário digno, acesso à saúde e educação, além de moradia dígna.

Afinal, só a luta muda a vida.

Juliana Cardoso no Grito dos Excluídos de 2020
Imagem: Jeivison José

Um breve histórico do Grito

A proposta do Grito dos Excluídos e Excluídas surgiu em 1994, a partir do processo da 2ª Semana Social Brasileira, da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), cujo tema era Brasil, alternativas e protagonistas, inspirada na Campanha da Fraternidade de 1995, com o lema: A fraternidade e os excluídos. Entre as motivações à escolha do dia 7 de setembro para a realização do Grito dos/as Excluídos/as foi   fazer contraponto ao Grito da Independência.

A partir de 1996, o Grito foi assumido pela CNBB que o aprovou em sua Assembleia Geral. A cada ano, se efetiva como uma imensa construção coletiva.  O Grito é uma manifestação popular carregada de simbolismo, que integra pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos. Ele brota do chão, é ecumênico e vivido na prática das lutas populares por direitos.

Objetivos do Grito 2020

  • Discutir com a sociedade o atual momento que vivemos no Brasil e no mundo, denunciando as estruturas opressoras e excludentes e as injustiças cometidas pelo sistema capitalista;
  • Refletir coletivamente que este modelo de “desenvolvimento”, baseado no lucro e na acumulação privada, não serve para o povo, porque destrói e mata;
  • Promover espaços de diálogo e troca de experiências para construir as lutas e a mudança, através da organização, mobilização e resistência popular;
  • Lutar contra a privatização dos recursos naturais, bens comuns e contra as reformas que retiram direitos dos/as trabalhadores/as;
  • Ocupar os espaços públicos e exigir do Estado a garantia e a universalização dos direitos básicos;
  • Promover a vida e anunciar a esperança de um mundo justo, com ações organizadas a fim de construir um novo projeto de sociedade;
  • Realizar mutirões em defesa da vida, por terra, teto e trabalho;
  • Motivar as comunidades, movimentos populares e governos locais a se empenharem na construção de um novo pacto econômico, a partir do chamado do Papa para a Economia de Francisco.