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PL do Dia do EleNão é rejeitado na Câmara Municipal de São Paulo

Com 24 votos contrários e 12 a favor, a Câmara Municipal rejeitou, nesta quarta-feira (19), o Projeto de Lei nº 449/19 que instituiria o Dia do EleNão em 29 de setembro para ser incluído no calendário de eventos da cidade. O projeto tem a autoria do mandato da vereadora Juliana Cardoso (PT).

Em 2018, essa data ficou marcada pelas grandiosas manifestações convocadas pelas mulheres brasileiras contra o avanço do fascismo no Brasil. Essa escalada está expressa em atitudes preconceituosas, machistas, racistas, homofóbicas e contra a igualdade de gênero.

Principalmente, nos ataques sistemáticos de grupos de extrema-direita nas mídias sociais, num processo conhecido como assassinato de reputações contra pessoas que se opõem às suas ideias.

Organizadas em grupos em redes sociais e na hashtag #EleNão, milhares de mulheres tomaram as ruas em 26 cidades de 14 países e tiveram como foco principal a defesa da democracia.

Assim, o #EleNão, que nasceu nas redes sociais, alcançou as ruas e sensibilizou vozes anônimas e famosas pelo mundo, como a postagem da cantora pop Madonna na rede social Instagram.

A votação no plenário foi precedida de intenso debate. Os vereadores contrários alegaram que o projeto é um ataque ao presidente Bolsonaro.

“Esse dia registrou as maiores manifestações feministas da história do Brasil em defesa de valores como a tolerância política e o pluralismo ideológico, além das denúncias da violência contra as mulheres”, argumentou a vereadora Juliana Cardoso.

Para além das causas feministas, o movimento abraçou pautas mais gerais, como a defesa dos direitos humanos, fundamentais na construção de uma sociedade civilizada. “O PL tem como foco a luta contra o fascismo, contra o ódio e a defesa da democracia hoje ameaçada pelo autoritarismo do ex-capitão que ocupa a presidência, e a data seria um símbolo dessas lutas”, acrescenta vereadora.

Embora o protagonismo tivesse sido das mulheres, diferentes grupos ocuparam as ruas naquele 29 de setembro. Os protestos reuniram integrantes de movimentos sociais, estudantes, artistas, sindicatos e militantes de partidos políticos, além de torcidas organizadas de clubes de futebol. Até mesmo evangélicos e “policiais contra o fascismo” marcaram presença.

Apesar da proposta não ter sido aprovada em plenário, o mandato saiu fortalecido mais uma vez como um espaço que multiplica as vozes das mulheres, além de reforçar, em sua fala, a necessidade de termos mais mulheres de esquerda no legislativo, para que as pautas sejam avaliadas sem o uso distorcido da religião como pano de fundo.