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Racismo / Uma bota da PM que retrata um Brasil que não queremos

Vivemos um tempo em que todas as violências estão sendo registradas ora por câmeras ou por celulares. Assim, milhões de pessoas estão tendo acesso as imagens de brutalidades cometidas por policiais contra pessoas indefesas.

A matéria do Fantástico de domingo nos mostra a violência em que uma grande parcela da população sofre, quando é submetida a constantes maus tratos e agressões. Reforça, mais uma vez, o racismo como prática do aparelho do Estado.

Nessas imagens o racismo explicito nos leva a refletir sobre as dores muito profundas dos negros na história do Brasil.  Como defensora dos direitos humanos me assusta como o Estado violenta e desumaniza o corpo de uma mulher negra.

A pisada da bota policial na garganta da mulher nos lembra a história recente do assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos. Toda a truculência policial tem sempre como alvo predileto o negro.

Mas essas violências policiais, registradas em imagens, estão servindo

também para alertar a sociedade e despertar reações.  

Não podemos deixar de lembrar de outros acontecimentos denunciados pelo Racionais nos anos 90. Cenas da polícia que subia nas comunidades com o esquadrão da morte para causar terror e muito sangue derramado.

As violências hoje registradas são provas de atitudes que sempre falamos e muitas não vinham à tona. A realidade é que nunca houve a tão propalada paz.

Cresci em Sapopemba. Estive dentro deste terror, e reafirmo o genocídio que a população negra e indígena é submetida.

O vídeo do Fantástico é mais um dos intermináveis casos de violência policial. Quero lembrar do crime em Paraisópolis onde muitas mães ainda choram seus filhos. E outras ainda que derramam lágrimas pelas crianças baleadas em suas casas ou mesmo sequestradas e mortas.

Sou defensora dos direitos humanos. Não posso ignorar o fato de que o aumento desta violência é sintoma das falas dos atuais mandatários do País.  Doria, Witzel e Bolsonaro incentivaram em suas campanhas eleitorais a atuação violenta das policiais. Hoje, se espera que sejam responsabilizados por essas ações.  

Claro. Responsabilizar os policiais que praticaram violências racistas é o primeiro passo. Mas, é preciso ir além. Precisamos travar discussões sobre desmilitarização com o povo. Esse é o caminho para acabarmos com o genocídio do povo preto, periférico e indígena.

Está na hora de perceber que a prática da truculência remonta os tempos da ditadura. E sei bem como é a violência. Até como vereadora fui vítima de agressões ao lado do povo em tentativas de despejo.  Até mesmo dentro da Câmara já fui atacada. E constantemente tentam me silenciar e desqualificar pelo simples fato de ser mulher.

Ao ver as imagens dessa brutalidade lembro de todas as opressões que sofremos. E reafirmo as lutas de todas mulheres guerreiras que abriram caminho para que pudesse ter sida eleita. O mandato atua em defesa da vida, pois acredito que nosso futuro é negro e feminista.