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Covid-19 / Relaxamento da quarentena não tem respaldo científico e deixa periferia mais vulnerável

A Secretária Municipal de Saúde anunciou os dados da primeira etapa do Inquérito Sorológico. O estudo coletou testes em 2.624 pessoas nos 96 distritos da cidade.

E o resultado é que 9,5 % das pessoas apresentaram anticorpos para o Sars-Cov2. Esse número projeta que a cidade tem 1,1 milhão de pessoas com anticorpos. Mas que 11 milhões de pessoas são suscetíveis de serem contaminadas pela COVID 19.

Os dados são preocupantes. Se há 10% de pessoas livres das contaminações, obviamente os 90% restantes estão sujeitos a contrair a Covid-19.

E ainda. Demonstram que ao flexibilizar a quarentena o governador do Estado João Dória e a prefeito Bruno Covas estão na contramão do que recomendam os cientistas. O relaxamento pode acelerar os contágios, elevando ainda mais o número de infectados e de óbitos.

Nesta quarta-feira (24), na audiência pública conjunta das Comissões de Saúde e de Direitos Humanos da Câmara Municipal, os especialistas foram claros em suas explanações. O relaxamento do isolamento social, com a abertura do comércio, não tem respaldo científico nos dados da pandemia, mas está sendo feito por razões econômicas.

Diante do que foi apresentado pelos convidados, apresentamos a sugestão de encaminhar uma deliberação das duas comissões para o prefeito Covas voltar atrás com a flexibilização da quarentena.

Além disso, também chamei a atenção de que a Prefeitura tem alardeado ações, mas estas não chegam para as populações mais vulneráveis.

A audiência pública teve a participação de representantes de movimentos sociais, que reforçaram a omissão do governo do Estado e da Prefeitura.

Ainda questionamos o real motivo da falta de testagens em massa. É uma política deliberada? O argumento do Governo do Estado da falta de reagentes químicos procede? Ou essa falta de insumos para os exames afeta só o Brasil?
Por que não temos ações para implantar centros de acolhida para isolamento de pessoas infectadas sem sintomas e/ou com sintomas leves?

A impressão é que a Prefeitura após ter estabilizado a doença na classe média, deixou de se preocupar com a população mais pobre das nossas periferias e também das populações negra e indígena, onde se registram os maiores índices de óbitos. E que falta um plano de contingência para atender a população mais empobrecida.

Sem pressa para chegar com medidas concretas e realizar testes de massa na população em geral, a Prefeitura e o Governo do Estado mostram agilidade no relaxamento da quarentena. E acabam de anunciar o plano de reabertura das escolas.