Truculência policial não deterá a luta pelo direito de morar da classe trabalhadora

Nota do mandato da vereadora Juliana Cardoso.

A vereadora Juliana Cardoso (PT) foi detida hoje por volta das 16h por policiais militares quando se dirigia para o CDP de Pinheiros com o objetivo de buscar Sidney, irmão de Preta, liderança do movimento de moradia preso injustamente há mais de 100 dias, que foram libertados após terem obtido Habeas Corpus. A vereadora estava em um veículo com familiares deles, Jeferson Santos, Liliane Ferreira, Claudete e Adriano.

Seria um dia de comemoração pela conquista da liberdade, isto em um contexto de prisões injustas, motivadas pela política de criminalização dos movimentos sociais, que é crescente no país. A caminho de Pinheiros o veículo foi cercado por uma viatura, e minutos depois outras 5 viaturas da Polícia Militar do Estado de São Paulo chegaram. Foram abordados com truculência, sob ordens de ir para a parede, com arma empunhada e apontada para o rosto da vereadora e demais ocupantes do veículo. Mesmo se identificando como autoridade representante do povo a vereadora não foi considerada pelas autoridades policiais, e a situação apenas cessou quando horas depois outros parlamentares e companheiros de luta chegaram. Isso aconteceria se não fosse uma vereadora se identificando, mas um vereador homem? Foram questionados o motivo da abordagem, foi perguntada qual a justificativa para o tamanho da força policial utilizada contra os cidadãos, e não houve nenhuma escuta por parte dos policiais militares. Essa conduta não é despreparo, é expressão crua da orientação política que o governo do Estado dá a todo o aparato de segurança.

O governador João Dória é responsável pela forma truculenta com que atua a força policial. É urgente que haja uma resposta oficial sobre os motivos reais da perseguição ocorrida hoje, e de onde veio a ordem para a abordagem que ocorreu com a vereadora e os familiares de Preta e Sidney. Nenhum elemento deste fato pode ser diminuído ou relativizado. Pessoas negras ocupavam o carro, é inadmissível que se omita esse fato, o racismo estrutural do nosso país se manifesta todos os dias em cada esquina e na atuação das instituições. Os ocupantes do veículo estavam a caminho de acolher uma pessoa perseguida por lutar por um direito constitucional, o direito à moradia, e ficaram retidas por mais de três horas, sem qualquer justificativa.

Será registrado boletim de ocorrência por abuso de autoridade. Por hoje teremos um alento que enfim chegou: a liberdade da companheira Preta e do companheiro Sidney!

Não nos curvaremos ao desrespeito, não nos encolheremos por tentativas de intimidação. Chega de racismo, chega de perseguição aos movimentos sociais! Seguiremos em luta pela liberdade também de Ednalva, e trabalharemos incansavelmente até que o direito de morar da classe trabalhadora seja uma garantia real!

Mandato vereadora Juliana Cardoso