29 DE AGOSTO DIA DA VISIBILIDADE LÉSBICA

Após 13 anos em tramitação, conseguimos instituir o Dia da Visibilidade Lésbica no município de São Paulo.

As mulheres lésbicas celebram desde 1996 o dia nacional de sua visibilidade. A data marca um dos muitos feitos do movimento lésbico brasileiro na luta contra a invisibilidade de suas pautas dentro do movimento LGBT e movimento feminista, bem como na luta contra a fetichização de sua sexualidade, corpos e modos de vida.

Ao longo das últimas décadas, a atuação do movimento LGBTI em geral e das mulheres lésbicas em especial teve como resultado avanços ao nível das políticas públicas e mais recentemente, a lgbtfobia foi reconhecida como crime no Brasil pelo Supremo Tribunal Federal.

Apesar dos avanços, hoje severamente atacados pelo atual presidente do Brasil, a violência contra as mulheres lésbicas segue invisibilizada e pouco discutida em nossa sociedade, não fosse pelo primeiro levantamento sobre Lesbocídio no país, realizada pelo Núcleo de Inclusão Social (UFRJ) e pelo Nós: Dissidências Feministas (UFRJ).

De forma pioneira também, recente levantamento demonstrou que 6 lésbicas são estupradas por dia no Brasil. Nestas tristes estatísticas, ressalta-se ainda o fato de que mulheres negras, pobres e que não performam padrão de feminilidade socialmente aceito são as mais atacadas pela violência misógina e lesbofóbica.

Tratar o tema da violência e a garantia de direitos das lésbicas – e a população LGBTI como um todo – deve ser um compromisso de todas e todos que lutam por igualdade e justiça social no Brasil. Tenho muito orgulho de ter contribuído para que o dia da visibilidade lésbica tenha sido incluído no calendário oficial da cidade, em 2017. Naquele ano, nosso mandato recuperou um Projeto de Lei apresentado pelos então vereadores Carlos Neder e Flávia Pereira. Tenho muito orgulho de ter enfrentado as forças conservadoras por ocasião das discussões do Plano Municipal de Educação. Naquele ano, não relativizamos nossa convicção de que é essencial falarmos sobre gênero e diversidade sexual nas escolas como forma de construirmos uma sociedade em que a orientação sexual e identidade de gênero dissidentes das pessoas não sejam motivos para exclui-las dos direitos mais básicos como o direito de viver uma vida sem violência.