500 dias sem Marielle: Como ‘femenagear’ a força dessa companheira em tempos tão obtusos?

Pensei muito sobre isso e quero convidar todas vocês a levar a luz de Marielle que carregamos dentro de nós – que sonhamos, resistimos e lutamos por um mundo melhor

Hoje, estamos fazendo 500 dias sem Marielle. 500 dias sem resposta. Hoje, ela faria 40 anos.

Aquele não foi um dia fácil para ninguém e, de lá para cá, o prenúncio de tempos arbitrários e obscuros só se confirmou. Desde então, mulheres ativistas foram presas, outras se exilaram do país e nossos direitos estão sendo cada vez mais ameaçados.

Pensei em diversas formas de ‘femenageá-la’, mas não queria que fosse artificial, uma formalidade e nem que sua força se perdesse nesse mar de barbárie que estamos enfrentando. Talvez não haja palavras que caibam para tamanha brutalidade, um crime ainda sem punições e sem nomes. Um crime cujos principais suspeitos têm ligações escusas.

Mas mal sabiam o tamanho de Marielle. Seu nome ganhou força nacional e plantou uma semente em cada mulher que sonha por um mundo melhor.

E, com certeza, cravou essa força em todas as companheiras que estão na luta parlamentar, nos movimentos sociais, nas tribunas, levantando vozes, sendo resistência — seja aqui em São Paulo ou em Brasília ou em qualquer lugar desse país.

Portanto, Marielle está em mim, está em você, está na companheira ao lado.

E é disso que eles têm medo.

Porque essa que vive aqui dentro, essa que dá forças para seguir em frente… nenhum presidente, nenhum juiz, nenhum fascista vai conseguir arrancar de nós.

E qual a melhor forma de homenagear a força de uma companheira que vive dentro da gente, se não com as coisas que nos fazem levantar todos os dias e ir para a luta?

Talvez vocês não saibam, mas sou nascida e criada nas comunidades eclesiais da igreja católica na Zona Leste de São Paulo.

Na minha religiosidade, uma das formas mais engrandecedoras de expressar gratidão é acender uma vela. É como se fosse possível externalizar a chama que nos mantém vivos em agradecimento às pessoas que estão conosco ou já partiram.

A força da crença – tanto na justiça divina quanto na construção de um mundo mais justo, solidário e humano – é o que me faz levantar todos os dias.

Por isso, não havia forma melhor de homenagear a Marielle do que distribuindo a luz que ela acende em cada uma de nós.

Hoje, vamos distribuir 500 velas para as companheiras mulheres que encontrarmos na luta – seja no gabinete, seja nas ruas, no campo ou na cidade.

Para que juntas nos lembremos todos os dias de agradecer a força de Marielle por nós.

Marielle, obrigada. Marielle, presente.

Juliana Cardoso.