UBS Vila Granada está fechada há seis meses

Publicada em março de 2019.
Interditada em outubro do ano passado pela Defesa Civil devido a rachaduras que surgiram nas paredes do prédio, a Unidade Básica de Saúde (UBS) Vila Granada, no bairro da Penha, zona leste da cidade de São Paulo, ilustra o modo tucano da gestão Bruno Covas (PSDB). A prioridade são os cortes de verbas orçamentárias nas áreas sociais e, por consequência, falhas de manutenção em equipamentos, além da falta de investimentos.
Pode parecer pouco e problema pontual, mas a situação da UBS Vila Granada reflete o modelo da atual gestão que tem como foco políticas de ajuste fiscal, tão em moda nos dias de hoje.
Responsável por uma área de abrangência de quase 30 mil habitantes, a unidade realizava mensalmente, em média, 6.200 procedimentos e 3.200 atendimentos na sua farmácia. Com o fechamento repentino, os usuários foram transferidos para outros equipamentos, exigindo deslocamentos e provocando transtornos aos pacientes, muitos dos quais com mobilidade reduzida.
Desde então, conselho gestor e moradores locais seguem mobilizados em intermináveis reuniões com a Prefeitura na luta pela reabertura dessa UBS. O sentimento, porém, é de frustração. Até o momento, a Secretaria Municipal de Saúde não apresentou projeto de reforma e muito menos previsão de início das obras.
Essa morosidade e descaso da gestão Covas segue um roteiro bastante conhecido. A UBS República, na região central da cidade, também foi fechada há três anos por problemas na estrutura física. Ela somente foi reaberta no ano passado, em outro endereço no centro, por muita persistência dos usuários, conselho gestor e movimento de saúde. O mesmo ocorreu com a UBS Parque Imperial, na Supervisão de Saúde da Vila Mariana, que também teve suas portas fechadas e até o momento não foi reaberta.
A UBS Via Granada tem significado simbólico. A sua implantação remonta a luta histórica pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nos anos de 1980. A unidade se tornou realidade após muita pressão popular, que teve o padre Ticão, da zona leste, à frente do movimento.
Não só pela conquista histórica, mas pela sua importância estratégica no atendimento, principalmente à população idosa da região, moradores não querem perder esse importante equipamento de saúde.
Como membro da Comissão de Saúde da Câmara Municipal estamos solicitando esclarecimentos sobre o plano de reabertura. A Secretaria Municipal de Saúde se limita a responder de forma evasiva e burocrática que “a reforma está prevista no Plano de Metas 2019/2020 de 350 unidades da Prefeitura e que está empenhada para o retorno da unidade em sua sede o mais breve possível”. Plano aliás que, recentemente, foi revisto com redução de metas pelo prefeito Covas.
Diante desse quadro de desinformação e de promessas vagas, o movimento pela reabertura estará realizando grande plenária no dia 9 de maio, às 10h (EE Professora Maria de Carvalho Senne, Rua Puquixã, nº 01) para cobrar medidas concretas da Prefeitura. Somente com mobilização popular será evitado o fechamento definitivo dessa unidade.
Vereadora Juliana Cardoso (PT), vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente e membro das Comissões de Saúde e de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo.