Índice de cesáreas em São Paulo está muito acima do recomendado pela OMS

Publicada em fevereiro de 2019. 
Dados disponibilizados recentemente pelo Sinasc (Sistema de Informação de Nascidos Vivos) e Ceinfo (Coordenação de Epidemiologia e Informação da SMS/SP), revelam que dos 185.012 nascidos vivos no ano passado, 99.774 dos procedimentos foram realizados por cesáreas (53,9%) e 85.236 (46,1%) por partos vaginais.
Esses números deixam a cidade a uma enorme distância do que preconiza a Organização Mundial de Saúde (OMS). A recomendação da OMS é de que as cesarianas nunca ultrapassem o percentual de 15% dos nascidos.
Em 2018, os hospitais próprios ou contratados pelo SUS (Sistema Único de Saúde) na cidade registraram 105.645 nascidos vivos, dos quais 36.187 por cesáreas (34,4%). Somente a Casa de Parto de Sapopemba e a Casa Ângela atingem o índice da OMS.
O melhor desempenho da rede municipal é o do Hospital Geral do Itaim Paulista com 21,8% de cesáreas. E o pior é o do Hospital do Servidor Municipal com 59,7%. Os campeões de cesáreas na rede pública estadual são o Hospital do Servidor Estadual (73,65%) e o Hospital das Clínicas (62,5%).
Na rede privada os dados são alarmantes. Do total de 78.832 nascidos vivos 81,1% foram por cesáreas com o Hospital Santa Joana na dianteira (89,15%), seguido do Pro Matre (86,5%). Chama a atenção o Hospital e Maternidade Masterclin que alcançou a taxa de 96%.
A cesárea é uma intervenção efetiva indicada para não colocar em risco a vida de mães e bebês. E recomendada somente por motivos médicos. Mas não é o que se observa na cidade e no país. Esses índices acima de 50% evidenciam que as cesáreas estão sendo realizadas de forma aleatória, sem critérios clínicos.
E mais. As taxas de cesáreas acima de 10% não estão associadas com redução de mortalidade materna e neonatal.
Esses dados mostram que há grande desafio e muitas lutas pela frente para modificar essas práticas cesaristas existentes no País e, em especial, na cidade de São Paulo.
O mais preocupante é que diante desses dados a Prefeitura de São Paulo não esboça medidas para rever o quadro. E não toma providências concretas para combater essas taxas de cesáreas.
As obstetrizes, profissionais extremamente preparadas para combater essa epidemia, por exemplo, esperam há três anos as suas nomeações para começar a atender nas unidades municipais.
Vereadora Juliana Cardoso (PT), vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente e membro das Comissões de Saúde e de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo.