Gestão Covas aumenta riscos de óbitos com fechamentos de bases do SAMU

Publicado no Brasil de Fato em maio de 2019.
Sob a alegação de redução de gastos, a gestão Bruno Covas continua a colocar em prática o seu plano de fechamento e transferência de local de 31 bases do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) na cidade de São Paulo. A administração municipal argumenta também que está ampliando de 58 para 78 as unidades do serviço. Elas estão sendo realocadas para diversos equipamentos de saúde, conforme determina portaria do prefeito Covas publicada no Diário Oficial no fim de fevereiro.
A transferência para espaços nas unidades de saúde, porém, são alvos de críticas, principalmente das equipes do SAMU. Isso porque os novos locais não oferecem condições adequadas e estrutura para os profissionais prestarem esses serviços. Com isso, aumentam os riscos de óbitos de toda a população que é atendida em situações de emergência.
Funcionários do SAMU relatam que “as bases atuais estão em pontos estratégicos da cidade, algumas delas com mais de uma ambulância com acomodações dignas como banheiros com chuveiro e vestiários. Contam com segurança, serviço de limpeza, copa para refeições e estacionamento amplo para a ambulância que precisa de espaço adequado para poder deslocar-se com brevidade ao atendimento. Com essa reestruturação, as equipes estão sendo jogados nos locais mais inusitados”.
E ainda explicam: “Em nosso trabalho é fundamental termos chuveiros, já que muitas vezes nos sujamos com sangue, secreções e ficamos até cobertos de cacos de vidro após socorrermos vítimas de acidentes de carro. Precisamos estar limpos e com materiais sempre esterilizados para atender novas chamadas”. E indagam: “Não somos contra redução de gastos, mas porque não planejaram obras de adequação para
acomodar as equipes?”.
Além de não possuírem dependências para esterilizações dos materiais utilizados no socorro às vítimas, os novos pontos não dispõem de salas para descanso das equipes que cumprem jornadas de 12 horas. Com isso aumenta o risco de erros durante o atendimento por problemas de cansaço.
Outra denúncia é que embora a gestão afirme que haverá duas ambulâncias para cada ponto de assistência, a verdade é que a cidade passará a contar com 80 por turno das atuais 122 ambulâncias. Isso porque uma estará em operação durante o dia e a outra disponível exclusivamente à noite. Com menos ambulância, por certo, o atendimento vai demorar e por consequência aumentarão o número de mortes que poderiam ser evitadas.
Além disso, essa realocação criará vazios assistenciais, pois o critério não prioriza o atendimento mais rápido em todo o território da cidade.
Hoje, a maioria das unidades modulares do SAMU funciona em contêineres alugados, mas a Prefeitura pretende encerrar o contrato no valor de R$ 5 milhões anual, obedecendo ao recente Decreto 58.636 que estabelece cortes orçamentários nas áreas sociais. Diante da insistência da gestão Covas com esse plano, surgem indagações.
Do ponto de vista financeiro a justificativa é descabida. O que representa a redução de R$ 5 milhões anual no orçamento da Secretaria Municipal de Saúde, cujo valor total para este ano é de quase R$ 10 bilhões? São apenas 0,05%.
A desculpa de dificuldades financeiras também não condiz com a realidade. No ano passado, a arrecadação tributária da Prefeitura aumentou 12,6% em relação a 2017, conforme dados da própria Secretaria Municipal da Fazenda
Será que é realmente necessário economizar esse recurso em um serviço tão essencial e que tem impacto direto na vida de toda a população? Esse é o propalado choque de gestão?
Vereadora Juliana Cardoso (PT), membro da Comissão e Saúde e de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo.