Plano de obras da saúde esquece reivindicações históricas de Vila Prudente e Sapopemba, na zona Leste

Artigo publicado na Folha de Vila Prudente
 
Na administração pública a realização de obras e benfeitorias dependem de três fatores. O primeiro é a vontade política do gestor para atender as demandas alinhadas com as reivindicações da população. O segundo é a elaboração de projeto. E, por fim, por vezes o mais importante, é a garantia de recursos.
A saúde pública sofre há anos com a falta de mais recursos financeiros para custeio do SUS (Sistema Único de Saúde) e, principalmente, para investimentos em novos equipamentos. Essa carência está se agravando há três anos com a aprovação pelo Congresso Nacional da Emenda Constitucional (EC) 95. Ela congelou até 2036 as verbas da saúde, assistência social e educação.
Até há pouco tempo a cidade de São Paulo também enfrentava outra dificuldade. Por conta de acordo celebrado na gestão Pitta com o governo FHC na virada do século a cidade comprometeu 13% do seu orçamento para pagamento da dívida federal. E o pior. A cidade não tinha acesso a linhas de créditos para obter recursos junto a órgãos internacionais. Após muita persistência a gestão Fernando Haddad conseguiu renegociar esse acordo e encerrou essa restrição.
Com isso, em dezembro o Senado aprovou para a cidade empréstimo do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) de quase R$ 800 milhões destinados exclusivamente para reformas e construção de novos equipamentos de saúde.
Essa excelente notícia para a cidade, porém, não pode ser festejada na região de Vila Prudente e Sapopemba. Informações não oficiais dão conta de que desse financiamento do BID a região será contemplada apenas com a construção da UBS Primavera/Colorado, no Sapopemba. Isso é necessário, mas é muito pouco para as demandas de uma população de 540 mil habitantes.
Todas as reivindicações da região, definidas há anos em encontros e conferências, algumas constam até no Plano Plurianual foram esquecidas. Assim, a tão sonhada URSI (Unidade de Referência do Idoso), o CEO (Centro de Especialidades Odontológicas), o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) Adulto, todos em Vila Prudente continuarão engavetados. Até mesmo a implantação da Unidade Básica de Saúde (UBS) Vila Prudente II que possibilita a ampliação de cobertura do Programa Estratégia de Saúde em Família (ESF) em bairros como Quinta da Paineira, Vila Zelina, Vila Bela e Vila Alpina não constam do plano da Prefeitura, que está guardado a sete chaves. Também está fora de cogitação a construção da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Sapopemba, motivo atual de grande mobilização do movimento de saúde e dos conselhos gestores da região, sobretudo pelo fato do PS do Hospital Estadual de Sapopemba atender de portas fechadas. A UPA tem até terreno municipal indicado pelo movimento.
A população, representada nos conselhos e nos movimentos de saúde, deve se mobilizar para rever essas prioridades levadas ao BID e que estão marginalizando as legitimas reivindicações de Vila Prudente e Sapopemba. Como vereadora e integrante da Comissão de Saúde da Câmara Municipal o mandato está nessa luta e vai fiscalizar a execução desses recursos, lutando para a nossa região também ser contemplada.
A região de Vila Prudente/Sapopemba tem tradição com conquistas históricas na área da saúde como a UBS Vila Bela/Vila Alpina na Rua Paramú e os hospitais estaduais de Vila Alpina e do Sapopemba. E mais recentemente com a abertura há três anos do Hospital Dia/Rede Hora Certa na Praça Centenário, bandeira que teve participação do jornal Folha de Vila Prudente
Afinal, os critérios de aplicação dos recursos do BID e o plano de obras merecem mais transparência. Principalmente, com a participação efetiva de todos os usuários.
Vereadora Juliana Cardoso (PT), integrante da Comissão de Saúde e de Direitos Humanos da Câmara Municipal