A retirada de árvores do canteiro central da Avenida Luiz Ignácio de Anhaia Mello, na zona leste da capital, para as obras do segundo trecho do monotrilho Expresso Tiradentes (Oratório - São Mateus) está deixando os moradores da região indignados. No dia 26 de janeiro, o Metrô iniciou o corte de 360 árvores no trecho de 4,5 Km de extensão da via que fica entre as Ruas Isaac Valadão e Manuel de Arruda Castanho.
Deverão ser mantidas 486 árvores e outras 35 serão transplantadas para praças e áreas verdes do entorno. Como compensação, o Metrô informa que serão plantadas 1.640 mudas de árvores sob as estruturas. As obras nesse trecho devem ser concluídas no próximo semestre.
"O canteiro é a única área verde que temos na região. E vão acabar com ele. É nele que as pessoas caminham, andam de bicicleta, jogam bola ou simplesmente ficam sentadas conversando", disse a dona de casa Darci Uccelli, de 50 anos. Ela conta que mora na altura do número 6.000 da avenida há 25 anos e viu crescer boa parte das 881 árvores contabilizadas neste trecho pela Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente.
Faltam praças e parques na Vila Ema e São Lucas, bairros vizinhos ao trecho da avenida que receberá o monotrilho. A única opção é o Parque Ecológico da Vila Prudente, ao lado do cemitério da Vila Alpina, como verificou o Jornal da Tarde na semana passada.
Apesar dos benefícios que o monotrilho levará à região, quem mora e trabalha na Anhaia Mello diz não acreditar que as medidas de compensação ambiental melhorarão a qualidade de vida. "Aqui já passam muitos veículos e agora teremos uma série de torres de concreto onde só havia árvores e era nossa área de lazer", diz o funcionário público e morador da Vila Ema Alexandre Soares, de 33 anos.
A possibilidade de aumento das enchentes na via também preocupa os moradores. "A avenida sempre alaga neste trecho quando a chuva é mais forte. Esse canteiro ajuda a amenizar porque acaba absorvendo mais água. Agora com esse monte de vigas, o solo ficará mais impermeabilizado e os efeitos das chuvas serão mais dramáticos", lamenta a vendedora e psicopedagoga Silvana Camargo, de 45 anos, que trabalha há 12 anos em uma oficina na avenida.
O urbanista o arquiteto Valter Caldana, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, diz que a preocupação dos moradores é pertinente. "A arborização e a existência de áreas de desconcentração, como o canteiro desta avenida, são questões importantes para qualidade de vida, que é um sistema muito maior que o transporte de qualidade", diz.
Segundo o Metrô, o local também receberá uma ciclovia. Além das mudas a serem plantadas, um valor referente a outras 1.803 mudas será depositado no Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, da Prefeitura. A quantia, segundo a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, será utilizada em diversos projetos de meio ambiente.
Jornal da Tarde - 09/02/2012
CRISTIANE BOMFIM