A ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Maria do Rosário, defendeu a votação, ainda este ano, do projeto de Lei que cria a Comissão da Verdade. E disse que a saída de Nelson Jobim do Ministério da Defesa não afetará em nada os debates em torno do projeto. "A Comissão não é comissão de um homem só ou de uma mulher só".
Para a ministra, "tudo será mais difícil" se o projeto que pretende criar um instrumento para investigar crimes do período de regime militar for deixado para o ano que vem, ano de eleições municipais. "Eu peço que a gente tenha a aprovação neste ano, porque em 2012 é ano eleitoral e tudo fica mais difícil".
Em audiência pública sobre Direitos Humanos na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), como defensora da Comissão da Verdade, a ministra disse que "as questões relacionadas ao regime militar são um nó que amarra as violações de Direitos Humanos no Brasil". Ela ressaltou que a Comissão da Verdade é fundamental para um Estado "cheio de contradições" como o brasileiro.
Para a ministra, a Comissão não é "revanchismo" e sim a necessidade de o "povo brasileiro em saber a verdade".
Cheiro - Em discurso a deputados federais e à entidades sociais, a ministra defendeu políticas públicas de atendimento às crianças. Em referência ao caso de sete menores que quebraram sala do Conselho Tutelar na zona sul de São Paulo depois de cometerem arrastão em um hotel próximo, a ministra disse que é preciso "sentir o cheiro que elas [crianças] têm. Precisamos entender o que elas pensam de nós". Para Maria do Rosário, o quebra-quebra dos menores sinaliza um pedido de ajuda que só será atendido por meio de políticas públicas adequadas e não por prisões.
"É inaceitável essas crianças serem presas. Se não existe um órgão que cuide delas, deve-se, então, criar um".
Cobrou também do governo do Estado de São Paulo criação de uma Comissão de Combate ao Trabalho Escravo que, segundo ela, já existe em 15 estados brasileiros.
Estrebucha- Sobre vídeo feito por policiais militares de São Paulo no qual dois homens feridos são filmados agonizando, Maria do Rosário cobrou respostas do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do Executivo paulista. "Acredito que Alckmin vai tomar providências". Só ocorrerá federalização do caso, segundo a ministra, se a "Justiça estadual não fizer nada".