AGRESSÃO MOVIMENTO PASSE LIVRE - 23/02/2011

A SRA. JULIANA CARDOSO (PT) - Sr. Presidente, Srs. Vereadores, telespectadores da TV Câmara São Paulo e público presente à galeria que veio em busca do seu aumento digno, não dá para fechar os olhos para as colocações do Governo, mas temos de discutir essa questão para que tenhamos um aumento digno diante de tudo o que os senhores fazem na Prefeitura. Com essa falta de planejamento e de governo do Prefeito Gilberto Kassab, quem sofre são os servidores públicos, que estão prontos para atender o cidadão, mas muitas vezes sem recursos e sem ter nas mãos as ferramentas para atender com qualidade.

Venho falar do fato ocorrido na quinta-feira, quando os Vereadores Donato, José Américo, Alfredinho e eu fomos agredidos na frente da Prefeitura. Estou indignada com o tratamento que obtive da Guarda Civil Metropolitana quando me apresentei na porta da Prefeitura, como Vereadora, dizendo que gostaria de acompanhar jovens e trabalhadores que protestavam para serem atendidos pelo Governo e para colocar suas reivindicações à Mesa.

Fui simplesmente barrada. Três guardas civis metropolitanos puseram-se na minha frente, dizendo: "Aqui a senhora não entra. Não está autorizada a entrar nesta Casa" Além de tudo, olhavam nos meus olhos, durante todo o tempo, com deboche e falta de respeito. Por que será? Por que eu não estava de terno e gravata? Por que não estava com os cabelos grisalhos, como muitos dos Vereadores desta Casa? Por causa da minha juventude? Por que sou mulher? Por que será que fui dessrespeitada pela Guarda Civil Metropolitana?

Por 25 minutos, tentei entrar na Prefeitura. Durante esse tempo, procurei me identificar como Vereadora. Fui eleita pelo voto. Pela Lei Orgânica do Município, posso adentrar e fiscalizar qualquer órgão, seja ou não da Prefeitura. Ou isso foi mudado e não foi discutido com os Vereadores? Fui extremamente agredida com empurrões. Pegaram no meu braço e me tiraram de dentro da Prefeitura. Se colocasse o pé no degrau, era empurrada e puxada. Fiquei lá e disse: "Então, ninguém sai e ninguém entra", pois, enquanto me impediam de entrar, outras pessoas entravam. Por que será que sofri esse desrespeito?

Quando o Vereador José Américo chegou, liguei para o Sr. Presidente desta Casa, nobre Vereador José Police Neto, relatando o que estava acontecendo. Falei com o Vereador Ítalo Cardoso, meu Líder. Liguei também para a Secretaria para tentar adentrar a Prefeitura, e o Sr. Malufe não me atendeu.

Eu e o nobre Vereador José Américo tentamos entrar, forçando para passar a barreira da Guarda Civil Metropolitana, porque não queriam autorizar a nossa entrada. Dentro da Prefeitura, havia outros guardas civis metropolitanos, que, na minha opinião, têm suas obrigações: o guarda civil metropolitano que trabalha dentro da Prefeitura e da Câmara Municipal tem de conhecer os Vereadores para saber com quem está falando. Isso não é um privilégio apenas de Vereadores, mas se um Vereador da Cidade de São Paulo é recebido dessa forma, imaginem a população que precisa entrar para reivindicar os seus direitos.

Está nas imagens, está nas televisões que transmitiram, está nos jornais. Portanto, está documentado na imprensa escrita e falada o tal desrespeito que a Prefeitura está tendo - ela que teria de dialogar com o povo, mas dialoga com o cassetete, dialoga com o gás de pimenta.

Fui agredida, sim, com os outros Srs. Vereadores, quando fomos lá fora para amenizar e harmonizar, porque não tinha cabimento a Polícia Militar, com a Tropa de Choque, ir para cima do movimento de jovens e trabalhadores, pois eles já estavam longe; não precisava mais daquele gás de pimenta; não havia necessidade mais de tiros de balas de borracha. E nós o tempo todo íamos falando: "Somos Vereadores, não precisa disso, recuem", porque a situação já estava controlada.

Pois bem, fui recebida com gás de pimenta, fui recebida com cassetete na barriga, porque eles não tiveram coragem de levantar e colocar sua identificação da Polícia Militar, quando foram agredir os Srs. Vereadores.

- O Sr. Presidente faz soar a campainha.

A SRA. JULIANA CARDOSO (PT) - Concluindo, Sr. Presidente.

Portanto eu repudio e reitero desta tribuna que vou falar e vou à Corregedoria, cujo Secretário esteve hoje nesta Casa, e vou até o final, porque é um absurdo que a Guarda Civil Metropolitana, que tem de nos resguardar, nos intimide e nos humilhe perante a Prefeitura Municipal de São Paulo.
Muito obrigada, Sr. Presidente.

 
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